Texto interessante para refletir…afinal quem não tem algum tipo de medo?
Apesar do Medo
Medo todo mundo tem. Porque o medo é um sentimento natural de quem está vivo e tem a função de alerta. O problema é que, temos a consciência de que um dia iremos morrer. Do medo da morte derivam muitos medos que medo de tudo e até mesmo de ser feliz.
Como seria impossível escrever sobre todos os medos, escolhemos olhar mais de perto aqueles que são nos acompanham desde sempre e os que habitam nossa alma nos dias de hoje. Há quem diga que a nossa é a Era dos Temores. Temos alimentados pelas inseguranças e ansiedades contemporâneas. Mas para todos eles o remédio é um só: enfrentar e aprender que o importante não é deixar de ter medo, mas sim tocar a vida apesar dos medos.
Hoje um dos nossos maiores medos é o de fracassar. Uma das nossas maiores buscas é o sucesso. Passamos a vida determinados a conquistar coisas, pessoas e posições que nos levem ao sucesso, ligado, na nossa sociedade à idéia de felicidade e de realização. O problema é que, para ser bem-sucedido, é preciso superar níveis de exigência sempre mais altos. O mundo nos cobra competência, eficiência, excelência. E essa parece ser a fórmula perfeita para muita gente entrar em parafuso.
Ficamos cansados por causa do esforço contínuo para alcançar objetivos inatingíveis e ficamos deprimidos porque fracassamos. Com toda essa pressão e com as coisas no mundo postas desse jeito, é normal sentir medo porque não existe mesmo lugar para todos. Para o psiquiatra Flávio Gikovate, quando o medo de fracassar impede a ação, paralisa. A pessoa não arrisca. Quem tem medo do fracasso, medo de se frustrar, tem é medo de sofrer. E esse medo tem que ser enfrentado, porque quem não tentar, quem não experimentar, já fracassou. ”
Quem tem medo pensa em muros. Quem não consegue estabelecer relacionamentos com ninguém, sente medo da rejeição. Para aqueles que acham que seus temores andam crescendo quase a ponto de paralisar, é preciso desenvolver a coragem, essa força racional capaz de ultrapassar o medo. “Mas não vencê-lo”, lembra Gikovate. “A gente não vai sem medo, a gente vai apesar do medo”.
E o medo do futuro? Como caminhar rumo ao desconhecido? Como olhar para o mundo e não ter medo do que pode acontecer? É difícil viver sem saber do amanhã. A gente tenta de todo jeito controlar o incontrolável: há quem planeje passo a passo o próprio futuro. Porque é a incerteza que nos dá medo.
“Não existe medo sem incerteza: se tivermos a certeza absoluta de um mau futuro, já não se trata mais de medo, mas de desespero. Ora, a idéia da morte tem isso de particular, que é misturar uma certeza absoluta com uma incerteza também absoluta. É totalmente seguro que um dia morrerei, e absolutamente incerto quando (e onde? e como?)”, diz Francis Wolff, que participa do livro Ensaios sobre o Medo.
Para enfrentar meus medos do futuro, e fazer a mudança que minha vida realmente pedia, usei a incrível força da esperança. Se eu vou conseguir ou fracassar, hoje não importa. Eu acredito para poder seguir em frente. Se amanhã não der certo, paciência. Depois de amanhã pode dar.
Elisa Correa – Revista Vida Simples
Agradecimento: Clinica Roti

