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31 de Março de 2014 ás 22:54

Ansiedade

“A vida é feita de escolhas”… optar por isto ou aquilo faz parte do nosso cotidiano. A psicoterapeuta Christiane Maia compartilha um texto super interessante abordando esse tema tão polêmico.

A ANSIEDADE DAS ESCOLHAS


A ansiedade é, sim, um dos males da modernidade. Não há pessoa que não relate que é acometida, eventualmente, por uma “crise de ansiedade”, caracterizada pela sensação de dúvida, incerteza, desconforto. A pessoa ansiosa gostaria de não estar onde está, ou pelo menos gostaria de não estar vivendo a situação que lhe causa ansiedade – mas, por outro lado, sabe que não tem como evitar. Todos somos ansiosos, em graus maiores ou menores. E a causa mais comum de geração de ansiedade atualmente é, como vimos, a necessidade de fazermos escolhas. Sim, pois a cada escolha você tem que sofrer com as renúncias que ela acarreta. Essa é a tragédia da escolha. O imperativo do “ou”. Ou isto ou aquilo, os dois não dá, explica a vida – e a gente aceita com resignação.
Escolher é trocar. A língua inglesa tem uma expressão que define bem a ansiedade da escolha: trade off. Sem tradução literal, trade off significa escolha, mas também quer dizer troca. Em síntese, escolher significa trocar uma coisa por outra.  Trade off é uma expressão muito usada nas empresas, e faz parte do planejamento estratégico. Os empresários e executivos sabem que sempre há um preço a pagar. Por resultados, terão que fazer investimentos. Se buscarem inovação, terão que admitir alguns erros. Se optarem por economizar, terão que reduzir os investimentos.
Todos os dias fazemos escolhas soft, cujos enganos não provocarão maiores consequências. Se você errar no prato no restaurante ou no filme na locadora, ou se escolher uma roupa leve num dia em que faz frio, tudo bem, a encrenca não é tão grande assim. O complicado é errar nas escolhas hard, como a profissão, os investimentos ou a pessoa com quem se casar e compartilhar a vida. Felizmente, fazemos mais escolhas soft do que hard neste passeio pela vida.
Mas nem tudo está perdido. Disse Einstein que nós não podemos resolver um problema usando o mesmo estado mental que o criou. É necessário buscar novas possibilidades, aceitar a existência de caminhos não vistos no primeiro olhar. E, nessa busca, sempre podemos contar com a possibilidade do “e” em vez do “ou”. A inclusão como alternativa à exclusão. Nem sempre dá, mas não podemos descartar essa possibilidade, e até contar com ela. Aliás, há situações em que essa é a única saída.
Viver com liberdade aumenta a responsabilidade e a ansiedade, mas viver sem ela aumenta o sentimento de impotência e o resultado pode ser a tristeza e a depressão. Sinceramente, se esse é o preço, fico com a ansiedade. E viva a liberdade de escolha.

Eugenio Mussak – Revista Vida Simples

 

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