Saber dizer “não”

Quem sabe dizer “não” vive mais feliz e ganha o respeito dos outros.

Num misto de solidariedade e compromisso, aprendemos desde a infância a estar sempre à disposição. Para algumas pessoas, recusar um pedido ou mesmo impor limites nas relações é uma tarefa complicadíssima. E não sem motivo. Desde a infância, somos incentivados a nos esforçar para socializar com os outros. Num misto de solidariedade e compromisso, aprendemos a estar sempre à disposição. “É comum acreditar que ao dizer ‘não’ vamos decepcionar o outro e até perder o seu afeto”, diz a psicóloga Marina Vasconcellos. Para muita gente, aceitar tudo é uma condição para manter relacionamentos, ser amada e aceita. Por outro lado, fica mais fácil impor a própria vontade quando se está seguro em uma relação. Isso explica porque muitas vezes é mais fácil recusar um pedido dos pais do que do parceiro ou parceira.

No ambiente profissional é mais comum engolir mais sapos, porque o funcionário pode ser mal visto ao recusar um trabalho ou pedido de um colega. Aceitar, de pronto, todos os pedidos alheios costuma provocar um sentimento de frustração. Já quem consegue ser assertivo, equilibrando “sim” e “não”, em geral, vive mais feliz. “Aquela pessoa muito boazinha nem sempre é a mais valorizada. Posicionar-se é uma forma de mostrar ao mundo que você faz escolhas sobre a própria vida e que exige que elas sejam respeitadas”, garante Marina.

Diante de qualquer pedido que cause incômodo ou mal-estar, peça um tempo para pensar antes de responder. Uma dica é analisar as consequências do que vai dizer. Se aceitar, qual é o impacto que você provocará no outro? Isso vai ajudar a reforçar a imagem positiva que ele tem de você? Qual é o preço que você terá que pagar por isso? Vale a pena? O clima chato que se instaura depois do “não” dura menos do que o sentimento negativo que faz o indivíduo se remoer por dentro, ao perceber que contrariou as próprias vontades.

No entanto, para se impor, não é preciso agredir ou ofender. “Todo tipo de conteúdo pode ser transmitido de diversas formas e até uma recusa pode ser acompanhada de uma atitude de respeito pelo outro e de uma boa dose de gentileza”, diz Marina. Também fica mais fácil aceitar e compreender um “não” que vem amparado por uma justificativa honesta e delicada. Agora, é preciso estar preparado para casos em que a negativa seja mal interpretada, apesar de todos os cuidados. Não sabemos com clareza se a outra pessoa entenderá nosso ponto de vista. Quem pede algo com a certeza de que será atendido tende a ficar mais incomodado diante da negativa.

Pense nisso!

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Texto de Marina Oliveira e Thaís Macena

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